Um jogo cativante: Radiata Stories

Já que comecei a falar de games levando em consideração o impacto e a preferência que eles tiveram (pessoalmente, claro), não poderia ficar sem falar de Radiata Stories, que é um jogo da Tri-Ace/Square.
O jogo foi produzido sem pretensões de se igualar aos clássicos do nível de Zelda, Final Fantasy e Kingdom Hearts e, de fato, não traz nenhum elemento novo: o velho esquema de equipar seu personagem, aprender técnicas, explorar mundos e enfrentar inimigos. Um ponto que vale à pena mencionar da construção de Radiata é a grande quantidade de personagens que podem participar da aventura: são 177 que, se você for paciente e souber resolver os puzzles da trama, tornam-se seus amigos e passam a lutar ao seu lado.
No aspecto técnico, Radiata é um jogo correto; não vai deixar nenhum jogador experiente babando pelos gráficos magníficos, mas, com certeza, agrada aos olhos de quem vê. As cores são bem equilibradas, lembrando pinturas à mão em composições bastante vivas e de muito bom gosto. As personagens usam a técnica de cell-shading que tornam os polígonos mais suaves e dão uma aparência muito simpática às suas expressões de anime japonês, com os já tradicionais gestos exagerados, olhos grandes e brilhantes e personalidades bastante marcantes. A música, assim como os gráficos, não é pomposa, não vai entrar para a galeria de composições orquestradas como em Dragon Quest VIII, mas passeia pelo jazz em cenários de taverna e mantém um clima agradável no desenrolar das suas, em média, 32 horas de diversão.
Uma coisa que começa a chamar a atenção no jogo é que em cidades, casas, bares, feiras e qualquer outro lugar onde as personagens estejam, a vida, literalmente segue seu rumo. Cada um segue uma rotina e realiza tarefas comuns, como se, de fato, vivessem um dia a dia normal. Você pode entrar na casa de uma senhora, vê-la jantar, deitar-se para dormir, depois acordar, servir o café e sair às compras. Perder um tempo observando essas coisas é bastante divertido já que algumas pessoas levam vidas secretas e podem reservar grandes surpresas.
O que marca, realmente, em Radiata Stories são as personagens: o protagonista, Jack Russell, é uma figura. Irresponsável, desbocado, convencido e teimoso, é impossível não rir com muitas das cenas onde ele aparece interagindo com as outras pessoas desse mundo virtual. De fato, o texto é uma comédia e as dublagens são muito bonitas, combinando perfeitamente com as ótimas expressões corporais que os animadores conferem ao cell-shading. Esse é um ponto unânime: Radiata não é um grande jogo por inovar em esquemas de luta ou enredo, mas as personagens encantam e cativam qualquer um, pois são muito carismáticas e levam o jogador a um nível de apego que chega a espantar.
Terminar o jogo (que tem dois finais bem diferentes) é um pouco triste, pois tem o tom de despedida de velhos amigos, mas sempre é possível esperar mais uns meses e jogar novamente para gastar as (muito bem gastas) horas de diversão com Jack Russel e companhia. Se você tem um PS2, espero que não tenha perdido a chance de desfrutar desse jogo e se não jogou ainda, nunca é tarde, pois Radiata Stories, definitivamente, vale à pena.

3 Respostas

  1. Tecnicamente não é só 32 horas de jogo,isso é para os apresados,e levar o jogo tão rapido assim provavelmente não passaria vivo da luta contra o Aphelion.

  2. tecnicamente não precisa de 32 horas para fechar o jogo! isso é para os apressados,e os apressados nunca iraão passar do Aphelion indo tão rapido assim!
    Você é um apressado?

  3. Não sou muito apressado, Bob. Na verdade, fiz os dois finais (e em menos de 32 horas cada um). Apenas não peguei os 177 amigos. Na verdade nem cheguei perto de 100.

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